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Como a multitarefa pode travar sua promoção na carreira

Jovem concentrado usando celular em mesa com laptop e livros em escritório moderno, três pessoas conversam ao fundo.

Um erro discreto pode estar por trás disso.

Muita gente acredita que, para demonstrar desempenho no trabalho, precisa dar conta do máximo de coisas ao mesmo tempo. Em entrevistas, é comum destacar o quanto se é “flexível” e “resistente à pressão”. Só que essa malabarismo constante entre tarefas pode fazer com que as promoções passem direto por você.

Por que a multitarefa constante freia seu desenvolvimento

Nos escritórios de hoje, tudo acontece em paralelo: e-mails aparecem na tela, o celular vibra, colegas interrompem “rapidinho com uma pergunta”, e, ao fundo, o chat corporativo não para de piscar. Quem quer crescer costuma tentar estar disponível para tudo ao mesmo tempo - e acaba entrando num padrão que mina a própria capacidade de entrega.

“Quem tenta fazer tudo ao mesmo tempo parece engajado por fora - mas entrega resultados comprovadamente piores.”

Há anos, profissionais da psicologia alertam: o cérebro humano não foi feito para manter foco profundo em duas tarefas exigentes simultaneamente. O que chamamos de multitarefa, na prática, é troca rápida de contexto. Esses saltos contínuos drenam energia e atenção - e é isso que, no fim, a liderança enxerga na qualidade do trabalho.

Pesquisas indicam que a multitarefa contínua pode gerar, entre outros, os seguintes efeitos:

  • Queda na capacidade de concentração
  • Mais erros por distração e detalhes esquecidos
  • Aumento do nível de estresse no dia a dia
  • Desempenho mais fraco na memória de trabalho e na memória de longo prazo
  • Maior vulnerabilidade a distrações (e-mails, chats, redes sociais)

Quem trabalha assim costuma parecer muito “ocupado”, mas não necessariamente seguro e consistente. Para quem decide promoções, a impressão pode ser a de alguém que começa muita coisa ao mesmo tempo, porém conclui pouco de fato - um perfil pouco atraente para o próximo nível de liderança.

Como a multitarefa no dia a dia passa a comandar você sem perceber

Muitas pessoas se consideram excelentes em multitarefa. O problema é que elas deixam de notar o quanto o cérebro já está condicionado a pular automaticamente de um tema para outro. Alguns cenários típicos em que esse comportamento aparece:

  • Você inicia dois projetos em paralelo, em vez de levar um deles com clareza até o próximo marco.
  • Você dirige com rádio ou podcast ligado enquanto, mentalmente, já está respondendo aos e-mails do dia.
  • Você fala ao telefone e, ao mesmo tempo, digita em um documento ou em um chat.
  • À noite, dá “só uma olhadinha” nos e-mails com a TV ligada ao lado.
  • Durante reuniões, você fica rolando o celular ou navegando pelas redes sociais.
  • Você escuta alguém pela metade, porque por dentro já está reorganizando a lista de tarefas.

Isso tudo parece inofensivo, mas vai criando um hábito: seu cérebro se acostuma a nunca estar 100% em uma coisa só. No trabalho, o efeito é que você entra menos vezes no famoso “flow” - aquele estado em que você mergulha de verdade numa atividade e rende no máximo.

O erro de raciocínio por trás do mito da multitarefa

Pessoas orientadas à carreira querem mostrar que dão conta de muita coisa. A lógica parece fazer sentido: se eu começo várias tarefas ao mesmo tempo, termino mais rápido. No cotidiano, porém, com frequência acontece o contrário.

“A multitarefa só dá a sensação de velocidade - na prática, você perde tempo a cada salto mental.”

Toda vez que você sai da tarefa A e vai para a tarefa B, seu cérebro precisa de alguns segundos para retomar o fio: onde eu estava? qual era o último ponto? do que eu preciso agora? Essas pequenas perdas vão se acumulando ao longo do dia. O resultado é que, no fim, você realiza menos do que realizaria se tivesse avançado em etapas, uma de cada vez.

Além disso, quem diz “sim” para tudo pode até parecer prestativo, mas transmite pouca capacidade de definir prioridades. E é justamente isso que muitas chefias procuram em quem vai receber mais responsabilidade: a habilidade de escolher com clareza o que é realmente importante agora - e o que pode esperar.

Como as lideranças percebem o problema

Mesmo que você se orgulhe da própria versatilidade, colegas e gestores tendem a notar outras coisas. Sinais comuns que podem travar planos de crescimento:

  • Entregas chegam com frequência no limite ou um pouco depois do prazo.
  • Em apresentações, faltam detalhes ou números que você “sabia”, mas não colocou.
  • Em reuniões, você precisa pedir para repetirem mais vezes porque sua mente se afastou por alguns instantes.
  • Você aparenta estresse e pressa, em vez de calma e foco em soluções.
  • Você fica com muitas “tarefas intermediárias”, enquanto as mais estratégicas acabam indo para outras pessoas.

Nessas situações, é comum que a liderança opte por não promover: não por falta de empenho, mas porque seu jeito de trabalhar não parece “pronto” para o próximo degrau.

Como sair da armadilha da multitarefa

A boa notícia é que esse sabotador de carreira tem conserto. A proposta não é produzir menos, e sim produzir de um jeito diferente. Algumas ações bem práticas:

1. Priorizar de forma radical em vez de aceitar no automático

Quando surgirem novas demandas, evite concordar imediatamente. Pare por um instante e responda a três perguntas:

  • Qual objetivo do meu time ou da minha área essa tarefa apoia diretamente?
  • Quais itens da minha lista atual são mais importantes - e por quê?
  • Quando eu consigo entregar de forma realista, sem derrubar a qualidade?

Ao comunicar desse modo, você não soa resistente, e sim profissional. A liderança percebe: essa pessoa trabalha com prioridades e planeja com consciência - um ponto claramente favorável para promoções.

2. Colocar na agenda períodos de monotarefa

Em vez de passar o dia todo com meia atenção, vale adotar outra estratégia: blocos de 45 a 90 minutos em que você faz apenas uma coisa. Durante esse tempo:

  • Feche o e-mail ou, no mínimo, desligue as notificações
  • Deixe o celular longe ou ative o modo avião
  • Avise colegas: “Vou ficar na próxima hora em modo foco”

Nem toda atividade exige esse nível de concentração, mas assuntos estratégicos, conceitos, análises e apresentações importantes ganham muito com essa proteção.

3. Usar a tecnologia como aliada - e não como fonte de interrupção

Celular, notebook, mensageiros e calendário podem ser configurados para proteger sua atenção em vez de roubá-la. Medidas úteis:

  • Desativar notificações de redes sociais e de apps pouco relevantes
  • Ler e-mails apenas em horários definidos, por exemplo, três a quatro vezes por dia
  • Usar de verdade o status “não perturbe” nos programas de chat
  • Utilizar ferramentas rápidas de anotação para registrar ideias e voltar imediatamente à tarefa principal

Assim, você também transmite para os outros: meu tempo é organizado, eu trabalho com intenção - e esse tipo de impressão pesa bastante em conversas de avaliação.

Qual é o papel do estresse e da saúde

Multitarefa constante não é só um tema de produtividade; é também uma questão de saúde. Com interrupções o tempo todo, o corpo entra mais facilmente em estado de alerta. A frequência cardíaca sobe, a respiração e o sono pioram, e a recuperação após o expediente demora mais.

“Quem passa o dia com a mente fragmentada leva a inquietação para a noite - e já chega ao escritório no dia seguinte com menos reservas.”

No longo prazo, isso pode virar exaustão, irritabilidade e maior chance de errar. Gestores sabem que esse padrão é arriscado quando se fala em posições com mais responsabilidade. Já quem se protege conscientemente passa uma mensagem diferente: “Comigo dá para contar no longo prazo.”

Como ajustar sua imagem no trabalho de forma intencional

Crescer na carreira não depende só do que você sabe, mas muito de como você trabalha e de como é percebido. Se você sente que se esforça e mesmo assim não avança, vale olhar com honestidade para o seu estilo de execução.

Um exercício simples: em dois ou três dias, reserve uma hora e anote, de forma bem geral, o que você fez nesse período - incluindo cada interrupção. Muita gente se surpreende ao perceber quantas vezes alterna tarefas ou se distrai sem notar.

A partir dessas observações, dá para transformar em ações objetivas: uma reunião a menos, um bloco de foco a mais, combinados claros com colegas, um uso mais consciente do celular. Cada ajuste pequeno aumenta sua concentração - e, com isso, sua visibilidade para quem decide seus próximos passos profissionais.


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