A NASA está levando a sério a busca por vida alienígena - inclusive dentro do nosso próprio Sistema Solar.
Na segunda-feira, a agência lançou, a bordo de um foguete SpaceX Falcon Heavy, uma nave espacial em direção a Europa, uma das luas de Júpiter.
Pesquisadores consideram que Europa abriga um enorme oceano de água salgada sob uma crosta de gelo, com cerca de duas vezes mais água do que existe na Terra. Por isso, ela é vista como talvez o local mais promissor do Sistema Solar para a existência de vida extraterrestre ativa.
A missão da NASA, chamada Europa Clipper, foi criada para esclarecer se a lua de Júpiter - e, em especial, seu oceano subterrâneo - teria condições de sustentar vida. Trata-se da maior espaçonave interplanetária já construída pela NASA. A sonda tem cerca de 4,9 metros de altura e, quando suas amplas asas de painéis solares são abertas, alcança 30,5 metros de envergadura. Seu peso é de três toneladas e meia.
Com o Clipper, começa a primeira exploração direcionada de um mundo oceânico além do nosso planeta.
Mesmo que não exista vida em Europa, a missão ainda é considerada decisiva na procura por vida fora da Terra, já que mundos com oceanos espalhados pela galáxia são candidatos de destaque para abrigar organismos.
Missões como a Europa Clipper são “catedrais modernas” e “buscas de uma geração”, afirmou Laurie Leshin, diretora do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, responsável pela construção da espaçonave.
“ Nós, cientistas, sonhamos com uma missão como a Europa Clipper há mais de 20 anos. Trabalhamos para construí-la por 10 anos”, acrescentou ela em um briefing sobre a missão em setembro. “Vai levar mais 10 anos, porque Júpiter é muito distante, até termos toda a ciência em mãos.”
A nave precisa percorrer cerca de 2,9 bilhões de quilômetros para chegar a Júpiter, recebendo no caminho um impulso da gravidade de Marte. A chegada está prevista para abril de 2030.
O que a Europa Clipper pretende descobrir em Europa
Na Terra, há vida no fundo do oceano mesmo sem luz do Sol. O que ela precisa é de uma fonte de energia - como fontes hidrotermais, que liberam calor do interior do planeta - e de moléculas orgânicas com elementos essenciais, como carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio.
A Europa Clipper leva nove instrumentos científicos para procurar sinais dessas moléculas, medir a salinidade e a profundidade do oceano subterrâneo e, entre outras tarefas, fotografar Europa com resolução de até um metro.
“Na verdade, a Clipper não vai procurar vida em si, mas vai caracterizar a habitabilidade de Europa”, disse no briefing Gina DiBraccio, diretora interina da Divisão de Ciência Planetária da NASA.
Sobrevoos planejados e cobertura quase total da lua
O desenho da missão prevê que a nave entre em órbita de Júpiter e realize 49 passagens por Europa, cada uma sobre uma região diferente, para ao final cobrir quase toda a lua, de polo a polo. Em alguns momentos, a espaçonave vai raspar a apenas 26 quilômetros da superfície de Europa.
Um problema de 7 corpos e radiação inimaginável
O plano de voo é um feito de engenharia. Em vez de um problema de três corpos, entrar em órbita ao redor de Júpiter vira um “problema de sete corpos” por causa das grandes luas do planeta, explicou no briefing Jordan Evans, gerente de projeto da missão.
A cada sobrevoo, a Clipper será banhada por uma radiação de Júpiter equivalente a “alguns milhões de radiografias de tórax”, acrescentou Evans.
A missão pode até ajudar a confirmar se o gelo de Europa realmente brilha no escuro sob essa radiação, como pesquisas anteriores da NASA já indicaram.
Leia o artigo original no Business Insider.
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