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Astrônomo Bill Gray prevê que estágio superior do Falcon 9 da SpaceX vai atingir a Lua em 5 de agosto de 2026

Foguete espacial em órbita com a Lua ao fundo e a Terra distante em destaque no espaço escuro.

Um astrônomo afirma que um estágio superior de foguete da SpaceX (a parte que não é recuperável) deve se chocar com a Lua em 5 de agosto.

Falcon 9 da SpaceX e o objeto 2025-010D

A SpaceX deve “chegar” à Lua, mas sem intenção. Essa é a previsão do astrônomo Bill Gray, segundo quem o estágio superior (isto é, a seção não recuperável) de um Falcon 9 pode atingir a superfície lunar em 5 de agosto de 2026. Trata-se de um objeto grande - aproximadamente do tamanho de um prédio de 5 andares - que veio do foguete da SpaceX lançado em janeiro de 2025 para levar os pousadores lunares Blue Ghost e Hakuto-R.

De acordo com Gray, após a missão, esse estágio superior do Falcon 9, identificado como 2025-010D, permaneceu orbitando a Terra, em vez de reentrar na atmosfera terrestre.

O que pode mudar a trajetória prevista

“Ele passou várias vezes perto da Lua e da Terra, mas nada perto o suficiente para preocupar com um impacto”, diz Bill Gray. Ainda assim, com base nas estimativas do seu software de cálculo orbital, o objeto acabaria entrando em colisão com a Lua.

Apesar de confiar nos próprios cálculos, o astrônomo ressalta que não está “totalmente certo” do resultado. Ele explica que, embora seja possível modelar o movimento de um detrito sob a influência gravitacional da Lua, da Terra, do Sol e dos planetas, não dá para prever com o mesmo nível de precisão o efeito da pressão de radiação solar.

Não é o primeiro objeto a atingir a Lua

Em sua publicação, Bill Gray também lembra que esse estágio superior da SpaceX não será o primeiro objeto a se chocar com a Lua. Em 2009, por exemplo, a Nasa deliberadamente arremessou uma sonda contra o solo lunar para descobrir “se existe gelo de água em uma cratera localizada na zona de sombra permanente do polo sul lunar.”

Já em 2022, um estágio superior associado à missão chinesa Chang’e-5 T1 também atingiu a Lua, formando duas crateras.

Gray avalia, inclusive, que a cratera gerada pelo detrito da SpaceX deve se parecer com as produzidas por esse estágio superior chinês. “Uma das crateras mede cerca de 16 metros de diâmetro e a outra cerca de 18 metros”, afirma o astrônomo. Porém, mesmo que o estágio superior da SpaceX realmente se choque com a Lua, ele aponta que o impacto provavelmente não será visível da Terra.

Os detritos espaciais preocupam cada vez mais

Com o aumento do número de lançamentos e a dificuldade de atender à demanda, Bill Gray diz estar cada vez mais inquieto com os detritos espaciais. Para ele, o valor científico do impacto desse estágio superior na Lua é pequeno. E não há risco para ninguém.

Ainda assim, na visão do astrônomo, “isso evidencia uma certa negligência sobre como os detritos espaciais são descartados.”

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