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Microsoft quer autonomia total em IA e se afasta da OpenAI

Pessoa em silhueta interage com cubo iluminado com as letras AI em escritório moderno.

Os investimentos iniciais e o acordo estratégico com a OpenAI permitiram que a Microsoft entrasse cedo na corrida da IA. Só que, aos poucos, a empresa de Redmond vem se afastando do criador do ChatGPT. Em entrevista ao Financial Times, Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, deixou claro que a meta agora é alcançar autonomia total em inteligência artificial.

Entre os primeiros investidores da OpenAI, a Microsoft usou essa parceria para levar rapidamente recursos baseados nos modelos do ChatGPT a produtos como o assistente Copilot e o motor de busca Bing, enquanto rivais (como o Google) ainda trabalhavam nos seus próprios modelos. Com o tempo, porém, essa relação mudou - e hoje a Microsoft já não quer ficar dependente do seu parceiro.

Essa separação acontece de forma gradual. No papel, a Microsoft continua com acesso às tecnologias da OpenAI, e várias funcionalidades da empresa ainda rodam em modelos do laboratório. Ao mesmo tempo, a Microsoft ampliou o leque de apostas, direcionando investimentos para outros laboratórios de IA. Além disso, passou a incorporar alternativas nos seus produtos, como tecnologias ligadas aos modelos Claude, da Anthropic. E a movimentação não para aí: a Microsoft também vem desenvolvendo os seus próprios modelos de IA.

Foi nesse contexto que Suleyman disse ao Financial Times que a ambição da empresa é ter independência em IA - isto é, deixar de depender da OpenAI e também de outras companhias. Isso já era esperado por observadores, mas agora a Microsoft afirma de forma explícita. Em essência, o grupo está construindo modelos de fundação próprios, com a intenção de competir em desempenho com aqueles oferecidos pela OpenAI.

Microsoft é investidora, parceira e concorrente

Vale lembrar que, no ano passado, a OpenAI adotou uma estrutura mais próxima da de uma empresa tradicional - e mais atraente para investidores - para captar mais recursos. Essa mudança relevante para a criadora do ChatGPT também alterou a dinâmica entre OpenAI e Microsoft. Na prática, os dois lados precisaram renegociar seus acordos dentro desse novo modelo.

Após a recapitalização anunciada em outubro, a Microsoft passou a deter 27% da divisão com fins lucrativos da OpenAI, participação avaliada em 135 bilhões de dólares. Por enquanto, as condições de acesso da Microsoft às tecnologias da OpenAI permanecem as mesmas, ao menos até que a OpenAI consiga desenvolver uma AGI (inteligência artificial geral), uma forma de IA semelhante à inteligência humana.

Ainda assim, alguns pontos do acordo foram ajustados. Um exemplo: o novo acerto determina que um painel de especialistas será responsável por decidir se a OpenAI de fato criou uma AGI. A OpenAI ganha mais liberdade, incluindo a possibilidade de desenvolver produtos com outras empresas. Já a Microsoft fica autorizada a trabalhar na sua própria AGI sem a necessidade de colaborar com a OpenAI.

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