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Cientistas encontram a mais antiga semente de uva fóssil de 60 milhões de anos na América do Sul

Jovem examina fóssil com pinça em área externa perto de rio, com caderno e lupa sobre mesa de madeira.

Depois de mais de uma década procurando, cientistas que atuam na América do Sul se depararam com a mais antiga semente de uva fossilizada já registrada nos neotrópicos ocidentais.

A minúscula estrutura, datada de 60 milhões de anos, foi encontrada em um local que reforça a hipótese de que as videiras começaram a se espalhar pelo planeta a partir de uma origem na região que hoje corresponde à América do Sul, pouco depois da extinção de grande parte dos dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos.

Descoberta na Colômbia: a semente de uva fóssil de 60 milhões de anos

O fóssil da semente pré-histórica foi desenterrado na Colômbia em 2022, para a alegria da paleobotânica Fabiany Herrera, do Field Museum, em Chicago.

A primeira a notar o “caroço” ancestral em uma rocha nos Andes foi a colega de Herrera, Mónica Carvalho.

"Ela olhou para mim e disse: 'Fabiany, uma uva!' E então eu olhei para aquilo e pensei: 'Oh meu Deus.' Foi empolgante demais", lembra Herrera.

"Eu procuro pela uva mais antiga do hemisfério ocidental desde a época em que eu era estudante de graduação."

À primeira vista, uma única semente de uva pré-histórica pode parecer um achado pequeno diante da história da vida na Terra. Ainda assim, frutos de tecidos moles dificilmente se preservam no registro fóssil, e a idade dessa semente fez Herrera, Carvalho e seus colegas repensarem a história profunda das videiras no continente.

O que o registro fóssil indica sobre a origem e a dispersão das videiras

Atualmente, do México à Patagônia, existem aproximadamente 100 espécies de videiras. Mesmo assim, o registro fóssil desse grupo, em grande parte tropical, é irregular e historicamente enviesado para a América do Norte e a Eurásia.

Em 2013, cientistas do Florida Museum descobriram sementes de uva fossilizadas na Índia, quase 10 milhões de anos mais antigas do que as que haviam sido encontradas na Europa ou na América do Norte. Desde então, Herrera passou a buscar um achado equivalente nos neotrópicos ocidentais das Américas e do Caribe.

Além da semente fóssil de 60 milhões de anos deixada por uma espécie que os pesquisadores batizaram de Lithouva susmanii, Herrera e sua equipe também descreveram outras oito sementes de uva fossilizadas na América Central e na América do Sul.

Vários desses fósseis apareceram no que hoje são o Panamá e o Peru, mas têm parentesco distante com gêneros do Velho Mundo, a meio planeta de distância. Acreditava-se que esses gêneros fossem restritos à Ásia; porém, o novo trabalho aponta que as sementes se espalharam pelo mundo mais longe e mais rápido do que os cientistas imaginavam.

Em contraste, uma semente de 19 milhões de anos do gênero Ampelocissus foi encontrada no Panamá e é "notavelmente semelhante" a espécies vivas no Caribe e na Mesoamérica - o que sugere que o gênero tenha surgido por perto antes de se expandir para outros continentes.

A ligação com a extinção dos dinossauros

As razões para o surgimento e a dispersão de todas essas sementes de uva parecem estar associadas ao desaparecimento dos dinossauros. Elas só passam a aparecer no registro fóssil depois desse evento de extinção.

"Sempre pensamos nos animais, nos dinossauros, porque foram os maiores afetados, mas o evento de extinção também teve um impacto enorme nas plantas", diz Herrera.

"A floresta se reorganizou, de certa forma, mudando a composição das plantas."

Videiras se dão bem em florestas densas, onde se enrolam pelo sub-bosque e pela copa, agarrando-se a outras plantas para se sustentar. Sem dinossauros "podando" a vegetação, as videiras podem ter encontrado mais espaço para se desenvolver.

"Animais grandes, como os dinossauros, são conhecidos por modificar os ecossistemas ao seu redor", explica Carvalho.

"Achamos que, se havia grandes dinossauros circulando pela floresta, eles provavelmente estavam derrubando árvores, o que, na prática, mantinha as florestas mais abertas do que são hoje."

Quando o nosso planeta perde vida, não demora para que outra coisa ocupe os espaços deixados. Se Herrera e seus colegas estiverem certos, podemos agradecer a grande saída dos dinossauros por ter aberto caminho para que, muito tempo depois, a nossa espécie domesticassse videiras tropicais há cerca de 8.000 anos.

Um brinde a isso.

O estudo foi publicado na revista Nature Plants.

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