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NASA mantém astronautas da Starliner da Boeing na ISS por seis meses e confirma retorno com a SpaceX

Dois astronautas da NASA observam e apontam para modelos de foguetes em miniatura flutuando dentro da estação espacial.

Decisão de segurança da NASA sobre a Starliner

Dois astronautas dos Estados Unidos que chegaram à Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo da Starliner, da Boeing, terão de permanecer no espaço por mais seis meses e voltarão para casa em uma cápsula da rival SpaceX, informou a NASA no sábado - um novo golpe de relações públicas para a gigante do setor, que enfrenta crise.

A volta de Barry "Butch" Wilmore e Sunita "Suni" Williams já vinha sendo adiada há semanas por falhas nos propulsores da nave da Boeing. O administrador da NASA, Bill Nelson, anunciou que o retorno à Terra ocorrerá em fevereiro, enquanto a Starliner fará o caminho de volta sem tripulação.

"O voo espacial é arriscado mesmo quando está no seu ponto mais seguro e mesmo quando parece mais rotineiro", disse Nelson a repórteres. "Um voo de teste, por natureza, não é nem seguro, nem rotineiro."

Ele afirmou que manter os astronautas na ISS e trazer a Starliner sem pessoas a bordo "é o resultado do nosso compromisso com a segurança" e acrescentou: "Nosso valor central é a segurança."

Segundo a NASA, o novo plano permite que a agência e a Boeing continuem a recolher dados sobre a Starliner durante o retorno no início de setembro, "ao mesmo tempo sem aceitar mais risco do que o necessário para a sua tripulação".

A SpaceX repetiu essa formulação em uma publicação de sua presidente, Gwynne Shotwell, na plataforma X.

Para a Boeing, a situação abre mais um problema: os dois astronautas deverão passar, no total, oito meses em órbita - e não oito dias, como estava previsto inicialmente.

Autoridades disseram que há suprimentos em quantidade suficiente na ISS e que a dupla está preparada para permanências prolongadas.

Ainda assim, Nelson afirmou que a NASA não perdeu a confiança na Boeing e que pretende seguir trabalhando com a empresa para que a agência tenha dois veículos capazes de levar e trazer astronautas da ISS.

Ele declarou estar "100 percent" certo de que a Boeing voltará a lançar a Starliner com tripulação.

Retorno em espera

Depois de anos de adiamentos, a Starliner finalmente decolou em 5 de junho, levando os dois astronautas veteranos até a ISS.

No entanto, um dia depois, quando a Starliner se aproximava da estação, "a NASA e a Boeing identificaram vazamentos de hélio e enfrentaram problemas com os propulsores de controle de reação da nave", informou a agência.

Com esforços intensos para diagnosticar o defeito e desenhar um possível reparo, a NASA teve de deixar o retorno dos astronautas sem data definida.

A principal preocupação era que a Starliner talvez não tivesse potência de propulsão suficiente para se libertar da órbita e iniciar a descida rumo à Terra.

Antes do anúncio de sábado, responsáveis da NASA reuniram-se com Nelson e, por fim, concordaram com a alternativa altamente incomum: trazer os astronautas de volta do laboratório orbital não na própria nave, mas a bordo de um veículo da SpaceX já programado para fevereiro.

"Era risco demais com a tripulação", disse Steve Stich, alto funcionário da NASA. Norm Knight, outro dirigente da agência, acrescentou que os astronautas "apoiam totalmente a decisão da agência".

Missão SpaceX Crew-9 e ajustes na Dragon

Pelo novo esquema, a missão SpaceX Crew-9 deverá decolar no fim de setembro - depois que a Starliner iniciar o retorno à Terra, liberando uma porta de acoplagem na ISS -, mas levará apenas dois passageiros em vez dos quatro originalmente previstos.

A NASA informou que ela e a SpaceX trabalham para reconfigurar os assentos na Dragon da Crew-9, "e ajustando a lista para levar carga adicional, itens pessoais e trajes espaciais específicos da Dragon para Wilmore e Williams".

Em fevereiro, o veículo da SpaceX trará de volta seus próprios tripulantes, além dos dois colegas que ficaram retidos.

Boeing x SpaceX

A medida representa mais um impacto na imagem já desgastada da Boeing, cuja divisão de aviões tem sido alvo, nos últimos anos, de preocupações ligadas à segurança e ao controle de qualidade.

Há dez anos, após a aposentadoria do Ônibus Espacial, a NASA encomendou novas naves tanto à Boeing quanto à SpaceX para transportar astronautas de ida e volta à ISS.

A lógica da agência era que, com dois veículos disponíveis, sempre haveria uma opção de reserva.

Mas a SpaceX, de Elon Musk, saiu na frente da Boeing e, nos últimos quatro anos, foi o único meio usado para levar astronautas.

O voo tripulado da Starliner neste ano - após anos de atrasos no desenvolvimento da nave - deveria ser o teste final antes de ela entrar em operação regular.

© Agence France-Presse

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