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Poluição luminosa e mariposas: o projecto Lightstar da Universidade de Oldenburg

Pessoa observando mariposas iluminadas por poste à noite, com laptop e equipamentos em mesa ao ar livre.

Durante a maior parte da sua história, as mariposas orientaram as suas viagens nocturnas pela Lua e pelas estrelas. Hoje, esse mapa natural está a ser abafado por postes de iluminação, edifícios iluminados e faróis de carros em movimento.

Esse excesso de luz artificial não só desorienta as mariposas - também interfere na forma como elas se deslocam, se alimentam e encontram parceiros, gerando efeitos em cadeia por ecossistemas inteiros.

Agora, cientistas tentam identificar com precisão de que modo a iluminação moderna altera o comportamento das mariposas e por que isso é mais importante do que a maioria das pessoas imagina.

Um novo projecto de pesquisa da Universidade de Oldenburg, na Alemanha, quer revelar esses impactos discretos da poluição luminosa.

A ideia é transformar esse conhecimento em soluções práticas para proteger insectos que dependem da escuridão para sobreviver.

As luzes de rua confundem as mariposas

As mariposas enfrentam dificuldades sérias em todo o mundo. A luz artificial das cidades reduz a escuridão natural e mexe com a maneira como elas se deslocam, se alimentam e se reproduzem.

Muitas espécies de mariposas usam o brilho da Lua e das estrelas como referência para voos longos durante a noite. Quando postes de luz intensos entram em cena, elas perdem o rumo e gastam energia a circular lâmpadas, em vez de procurar alimento ou parceiros.

Embora pesquisadores estudem o tema há anos, ainda faltam respostas. Que tipo de luz causa maior confusão? De que forma nuvens, condições meteorológicas e fases da Lua alteram o movimento das mariposas? E, sobretudo, como a luz artificial afecta o sucesso de acasalamento?

Um novo projecto chamado Lightstar foi criado para responder a essas perguntas. A iniciativa é liderada pela Dra. Jacqueline Degen, bióloga da Universidade de Oldenburg.

As mariposas sustentam ecossistemas

Muita gente subestima as mariposas, mas a natureza depende delas. À noite, elas polinizam culturas agrícolas e plantas silvestres.

Morcegos e aves usam mariposas como uma fonte essencial de alimento. Por isso, quando as populações de mariposas caem, os problemas espalham-se por ecossistemas inteiros.

As populações de insectos continuam a diminuir no mundo todo, e a poluição luminosa contribui para esse declínio. Os pesquisadores concentram-se, em especial, em duas espécies: a mariposa-falcão do alfeneiro e a mariposa-falcão elefante.

As duas percorrem longas distâncias e recorrem ao luar para se orientar. Além disso, a Lua a subir no céu também funciona como sinal do momento adequado para o acasalamento.

A Dra. Degen avalia que a luz artificial atrapalha a orientação dos machos e torna a busca por fêmeas muito mais difícil.

Acompanhar mariposas em 3D

Para testar essa hipótese, a Dra. Degen e a sua equipa estão a criar um novo sistema de rastreamento tridimensional. A proposta é registar trajectórias de voo com alta precisão.

“Nós vamos prender um refletor/transponder tão pequeno quanto possível nas costas da mariposa”, afirmou. “Depois, com a ajuda de um drone construído especialmente para isso, poderemos acompanhar a sua trajectória de voo e a sua altitude ao longo de centenas de metros (o equivalente a várias centenas de pés) pela primeira vez.”

O desafio principal está no desenho desse refletor/transponder. O dispositivo precisa ser extremamente leve e, ao mesmo tempo, permanecer detectável à noite em ambientes externos naturais.

“Campos de pastagem muitas vezes ficam húmidos à noite”, disse a Dra. Degen. “O orvalho nas plantas pode criar reflexos fortes e descontrolados, que provavelmente serão difíceis de distinguir dos sinais relevantes do transponder.”

A equipa pretende desenvolver novos refletores/transponders e métodos de análise que funcionem em condições nocturnas reais. No futuro, dispositivos desse tipo também poderiam servir para acompanhar espécies de insectos muito pequenas.

Simular luzes de rua durante a noite

A pesquisa não fica restrita ao laboratório. Grandes experiências de campo têm um papel central no projecto Lightstar.

“Nós vamos soltar mariposas machos em área aberta, a cerca de 100 metros de distância das fêmeas”, explicou a Dra. Degen. “Quando os machos partirem à procura das fêmeas, vamos simular a iluminação pública ao longo do percurso, com a Lua ao fundo.”

Essas experiências avaliam como as mariposas reagem à combinação de luar, luzes de rua, nuvens, vento, tempo de voo e altitude. O objectivo é entender de que maneira a luz artificial altera os padrões naturais de deslocamento durante a procura por parceiras.

Proteger insectos depois de escurecer

“A nossa pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias eficazes para combater o declínio de insectos causado pela poluição luminosa”, disse a Dra. Degen.

Os resultados podem orientar políticas públicas e decisões de planeamento urbano. Medidas simples já podem fazer diferença para as mariposas, como reduzir a altura dos postes ou diminuir a iluminação perto de habitats naturais.

Pequenas mudanças de desenho podem preservar rotas de voo das mariposas sem deixar as cidades às escuras.

Ao compreender como a luz transforma a noite, a ciência aproxima-se de proteger insectos que, de forma silenciosa, mantêm os ecossistemas vivos.

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