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O Telescópio Solar Daniel K. Inouye revela um mapa dos campos magnéticos da coroa do Sol

Homem observa modelo 3D do sol na tela do computador em laboratório com observatório ao fundo.

O telescópio solar mais potente do planeta acaba de nos entregar uma peça importante para ajudar a decifrar os mistérios magnéticos do Sol.

Agora, o Telescópio Solar Daniel K. Inouye produziu um mapa dos campos magnéticos na coroa solar - a região escaldante que funciona como uma espécie de “atmosfera” do Sol. Esse tipo de dado é essencial para entender erupções solares, manchas solares e o enigma de por que a atmosfera solar é mais quente do que sua “superfície”, área chamada de fotosfera.

"A conquista do Inouye ao mapear os campos magnéticos coronais do Sol é um testemunho do design inovador e das capacidades deste observatório único e pioneiro", afirma o astrônomo Tom Schad, do National Solar Observatory (NSO) da National Science Foundation, nos EUA.

"Esse avanço promete elevar de forma significativa nossa compreensão da atmosfera solar e da sua influência sobre o nosso Sistema Solar."

Por que os campos magnéticos do Sol importam

A “superfície” do Sol é extremamente agitada e muito brilhante, com uma série de processos de altíssima energia acontecendo o tempo todo. Com frequência, conseguimos observar os efeitos desses processos - incluindo flares e ejeções de massa coronal que lançam bilhões de toneladas de partículas solares para dentro do Sistema Solar. No entanto, detalhar em pequena escala quais mecanismos disparam esses eventos é muito mais difícil.

Os campos magnéticos têm um papel enorme nas erupções solares. As linhas de campo magnético estão continuamente se movendo, se enroscando, se esticando, se rompendo e se reconectando. As manchas solares são áreas da fotosfera em que os campos magnéticos são especialmente intensos; quando essas linhas se rompem e voltam a se reconectar, o processo gera uma explosão poderosa de energia e calor capaz de arremessar material solar para o espaço.

O que o Inouye revelou sobre a coroa solar

Não é comum termos uma visão nítida da coroa. Durante um eclipse solar, quando a Lua bloqueia a luz do Sol, é possível enxergar em detalhes impressionantes os “filetes” (streamers) e outros fenômenos coronais. A ideia inspirou o desenho de alguns instrumentos solares - entre eles um equipamento chamado coronógrafo, que bloqueia o disco solar para permitir que a coroa seja vista com clareza.

O Inouye é um desses telescópios. Somado à sua capacidade de alta resolução, isso o torna uma ferramenta especialmente poderosa para investigar processos na atmosfera do Sol que costumam ser difíceis de observar.

Como o Telescópio Solar Daniel K. Inouye mediu o efeito Zeeman

Para mapear os campos magnéticos na coroa solar, o telescópio usou seu Espectropolarímetro Criogênico no Infravermelho Próximo para registrar o chamado efeito Zeeman. Esse efeito ocorre quando a luz, em uma linha específica de um espectro, se divide em várias linhas na presença de um campo magnético. Cientistas já haviam tentado observar o efeito Zeeman no Sol antes, mas com sucesso limitado.

Com o Inouye, Schad e sua equipa obtiveram assinaturas claras do efeito Zeeman na linha espectral emitida por átomos de ferro na coroa solar. Além disso, eles conseguiram medir a polarização, oferecendo uma visão sem precedentes do campo magnético coronal.

Próximos passos: física da atmosfera solar e meteorologia espacial

Esse resultado é apenas o começo. Observações futuras e análises adicionais, segundo os pesquisadores, devem melhorar nosso entendimento da física da atmosfera solar - e, por consequência, da meteorologia espacial produzida por erupções tão intensas que podem ser sentidas até Marte e além.

"Mapear a intensidade do campo magnético na coroa é um avanço científico fundamental, não apenas para a pesquisa solar, mas para a astronomia em geral", diz o astrônomo Christoph Keller, diretor do NSO, que não participou do artigo.

"Este é o início de uma nova era em que entenderemos como os campos magnéticos das estrelas afetam os planetas, aqui no nosso próprio sistema solar e nos milhares de sistemas exoplanetários que agora conhecemos."

O artigo foi publicado na Science Advances.

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