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Laser impulsiona aerogel de grafeno em microgravidade e aponta propulsão sem propelente

Cientista analisando dados em tablet próximo a equipamento de alta tecnologia com amostra em laboratório.

Pesquisadores relatam que um laser consegue impulsionar pequenos blocos de espuma de grafeno para a frente em microgravidade, com uma força que quase desaparece sob a gravidade terrestre.

Com isso, uma curiosidade de laboratório passa a soar como um caminho viável para movimentar e orientar espaçonaves sem levar propelente.

Dentro da câmara

Em um tubo a vácuo, durante curtas janelas de microgravidade, minúsculos cubos de aerogel de grafeno deram um tranco para a frente assim que a luz do laser os atingiu.

Ao acompanhar esse deslocamento, a equipa da Khalifa University registou que a resposta mais intensa do material apareceu justamente quando a gravidade deixou de mantê-lo “preso” ao suporte.

Já em gravidade normal, os mesmos cubos exibiram apenas uma versão muito mais discreta do avanço, o que torna o resultado em voo bem mais do que um efeito visual.

Essa diferença marcada confirma o fenómeno com clareza - e, ao mesmo tempo, deixa no ar a questão maior: o que, exatamente, faz com que a luz empurre tanto mais quando há quase ausência de peso?

Por que a gravidade importou

Em cada arco parabólico, a aeronave gerou cerca de 20 segundos de microgravidade, um estado de quase ausência de peso produzido durante a queda livre.

A gravidade não deixou de existir; porém, avião e carga caíram juntos, e as amostras deixaram de sentir o “peso” que as mantinha apoiadas.

Nessa janela, uma das amostras percorreu quase 5 centímetros em 0,05 segundo e atingiu aproximadamente 1,7 metro por segundo.

No solo, o mesmo material conseguiu apenas cerca de 1,5 centímetro e 0,06 metro por segundo, indicando que a gravidade reduziu significativamente o impulso.

Ajustando o empurrão

A potência do laser alterou o resultado, reforçando que o movimento não era uma vibração aleatória dentro do avião.

Com luz mais intensa, surgiram saltos maiores tanto em velocidade quanto em distância, e o pico do empurrão apareceu nos primeiros 30 milissegundos.

Esse grau de controlo é valioso no espaço, porque um sistema de propulsão que responde à intensidade luminosa pode ser comandado com precisão.

Escolhendo o melhor design

Nem todo aerogel de grafeno - uma espuma sólida formada por folhas de grafeno - converteu luz em movimento do mesmo modo.

A versão mais leve ficou para trás, a mais densa avançou mais longe, e o projeto intermediário entregou o pico de impulso mais agudo.

É provável que essa amostra do meio tenha equilibrado melhor o tamanho dos poros e o escoamento de calor, permitindo que o gás aquecido atravesse o material com eficiência e gere força.

Em outras palavras, o desempenho dependeu da arquitetura - e não apenas de tornar o material o mais leve possível -, um aviso útil para engenheiros.

Quando o calor vira força

A explicação principal começa com o aquecimento desigual: o laser aquece a face frontal mais depressa do que a traseira.

Moléculas de gás mais quentes atingem um dos lados com maior intensidade, criando uma força fotoforética - um empurrão causado por diferenças de temperatura em gás rarefeito.

Em paralelo, o calor a correr pelos poros conduz o gás através da rede interna, de modo que os dois efeitos se somam.

Esse quadro também combina com uma pista importante observada no voo: o impulso subiu de imediato e enfraqueceu quando as amostras bateram na parede do tubo.

Do laboratório ao teste em voo

A ideia de a luz empurrar grafeno não nasceu nesse ensaio, pois equipas anteriores já tinham feito grafeno em volume mover-se sob iluminação.

Um artigo de 2015 descreveu propulsão direta por luz em grafeno em volume, mostrando que o efeito era real muito antes deste teste a bordo.

Essas amostras antigas comprovavam o conceito, mas não revelavam o quanto a própria gravidade suprimia o movimento.

O novo teste em voo preenche essa lacuna, transformando um efeito de laboratório em algo que engenheiros conseguem quantificar com vistas a missões reais.

Grafeno em velas espaciais

Outro estudo, de 2020, impulsionou velas de grafeno sobre uma grelha em microgravidade, apontando para velas ultraleves movidas a luz para a exploração espacial.

Essas membranas enfatizavam a pressão direta da luz, enquanto os novos aerogéis parecem receber ajuda adicional do gás aquecido.

A distinção importa porque uma vela em órbita precisa de impulso eficiente, e testes em laboratório também exigem forças suficientemente grandes para serem medidas.

Assim, o grafeno passa a ocupar dois papéis: candidato a velas futuras e material capaz de revelar como a luz se transforma em movimento.

Movimento espacial sem combustível

Espaçonaves pagam caro por cada grama de propelente; por isso, qualquer empurrão aproveitável obtido apenas com luz imediatamente chama a atenção de engenheiros.

“Estamos abrindo o caminho para um futuro de propulsão sem propelente”, disse Ugo Lafont, engenheiro de física e química de materiais da Agência Espacial Europeia.

Velas solares poderiam refinar o seu apontamento, e pequenos satélites poderiam ajustar a atitude - a direção para onde uma espaçonave aponta no espaço - sem gastar combustível.

A recompensa seria mais espaço para instrumentos e missões mais longas, desde que hardware futuro consiga repetir estes resultados fora do laboratório.

O que ainda é desconhecido

Ainda não existe um motor pronto para voo baseado nisso, e o experimento durou apenas frações de segundo.

Os cubos moveram-se dentro de tubos de vidro numa câmara com pressão reduzida, e as colisões com as paredes interromperam as melhores medições.

Os pesquisadores ainda precisam de testes mais longos, vácuo mais profundo e movimento mais livre antes de se saber como o material se comporta no espaço.

Mesmo assim, o resultado reduz as incertezas, ao mostrar onde a física parece mais forte e onde a engenharia precisa avançar.

Futuro da propulsão por luz

Aqui, luz, design do material e microgravidade combinaram-se para transformar uma espuma de carbono numa fonte rápida e controlável de movimento.

Se testes de acompanhamento conseguirem estender esse empurrão para manobras confiáveis, futuras espaçonaves poderão levar menos combustível e ainda assim mover-se com precisão.

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