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Tubarões entram na briga contra ouriços-do-mar nos recifes temperados da Austrália

Mergulhadores observam tubarão passando por ouriço-do-mar em fundo marinho com algas e conchas.

Cientistas australianos identificaram um aliado improvável para enfrentar a explosão de ouriços-do-mar que vem deixando os recifes temperados do continente praticamente “pelados”.

Corrente Leste Australiana e a crise dos ouriços-do-mar

A intensificação da Corrente Leste Australiana, impulsionada pelo aquecimento global, está empurrando águas tropicais - e muitas das espécies que vivem nelas - cada vez mais para o sul. Ao mesmo tempo, esse cenário também favorece condições que permitem que outras formas de vida marinha aumentem em número.

Entre elas estão diferentes grupos de ouriços-do-mar que, ao rasparem continuamente as densas florestas de kelp nos recifes temperados do sudeste da Austrália, vêm convertendo ecossistemas diversos e valiosos em sombrios “desertos de ouriços”.

Um dos poucos animais considerados capazes de predar ouriços é a lagosta-de-pedra oriental, Sagmariasus verreauxi.

Sabe-se que ela consome o ouriço nativo de espinhos curtos, Heliocidaris erythrogramma, mas ainda era incerto o quanto ela realmente participa do controle do ouriço de espinhos longos, Centrostephanus rodgersii. Para esclarecer o papel desse possível “parceiro” no controle do problema, uma equipa liderada pelo ecólogo Jeremy Day, da Universidade de Newcastle, decidiu medir o quão útil essa lagosta é como aliada.

Como foi o experimento com GoPro em Wollongong

O estudo, realizado ao largo de Wollongong (cidade da costa sudeste da Austrália), acompanhou 100 ouriços-do-mar - metade de espinhos curtos e metade de espinhos longos - que foram presos por amarras do lado de fora de um abrigo conhecido de lagostas.

Esse abrigo era uma saliência rochosa no recife, entre 5 e 8 metros de profundidade, onde as lagostas noturnas permanecem escondidas durante o dia. Ao longo de 25 noites, os investigadores registaram o que acontecia com câmaras GoPro.

"'Amarrar' é quando os ouriços são contidos cirurgicamente para permanecerem disponíveis à predação durante a noite e ficarem dentro do campo de visão das nossas câmaras. Usámos uma luz com filtro vermelho para filmar os experimentos porque invertebrados não gostam do espectro de luz branca", diz Day.

Tubarões-cornudos surpreendem como predadores de ouriços-do-mar

As gravações mostraram que as lagostas, na prática, não demonstraram interesse pelos ouriços de espinhos longos. No entanto, outro predador apareceu nas imagens “triturando” esses ouriços com muito mais vontade.

"Acredita-se que as lagostas sejam predadores 'chave' de ouriços, controlando a abundância de ouriços, enquanto tubarões normalmente não são considerados em modelos de predadores de ouriços", afirma Day.

"É importante destacar que os tubarões lidam facilmente com ouriços-do-mar muito grandes."

Os tubarões-cornudos-de-crista (Heterodontus galeatus) responderam por 82 por cento das mortes de ouriços de espinhos longos registadas em vídeo - e por pouco menos da metade das mortes no total.

Além disso, eles também se mostraram dispostos a morder ouriços adultos com mais de 12 centímetros de diâmetro (próximo de 13 cm), que antes se acreditava estarem, em grande medida, fora do alcance da predação. Isso é especialmente relevante porque são justamente os ouriços maduros que causam a maior parte do estrago.

Os tubarões Port Jackson (Heterodontus portusjacksonii) também tiveram participação nas mortes de ouriços de espinhos longos.

Enquanto isso, as lagostas foram filmadas várias vezes passando ao lado de ouriços de espinhos longos sem atacar. Em todo o experimento, elas comeram apenas um indivíduo dessa espécie, com 58 milímetros de diâmetro. O padrão observado foi uma preferência clara pelos ouriços nativos de espinhos curtos - o que sugere que os cientistas podem estar a superestimar a importância das lagostas para limitar a quantidade de ouriços de espinhos longos.

O que muda para a gestão e a conservação em Nova Gales do Sul

Até aqui, havia pouca evidência de predadores capazes de lidar com ouriços muito grandes. O facto de os tubarões-cornudos-de-crista encararem esse desafio transforma-os em um apoio bem-vindo para esforços de gestão e conservação e reforça como grandes predadores são importantes para manter o equilíbrio de um ecossistema.

"Esforços de longo prazo para controlar o número de ouriços garantindo o número de predadores não tiveram o efeito esperado em Nova Gales do Sul (NSW), apesar de mais de 20 anos de proteções", diz Day.

"Este experimento fornece uma possível resposta, já que as lagostas pareciam geralmente desinteressadas em comer ouriços, e também acrescenta complexidade ao modelo, pois os tubarões surgiram inesperadamente como o predador que comeu a maioria dos ouriços."

A pesquisa foi publicada na revista Fronteiras na Ciência Marinha.

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